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O próximo domingo, 25 de fevereiro, é marcado pelo Dia do Agronegócio – setor não apenas essencial para o desenvolvimento do País, mas que também é sedento por tecnologia para aumentar sua produtividade.
Para se ter noção do tamanho do mercado, a Liga Ventures, em parceria com o Hub CNA Digital, lançou um estudo que mostra a evolução das agtechs na América Latina, que contou com 978 startups – 809 delas brasileiras. De acordo com o levantamento, as principais categorias de agtechs ativas fundadas de 2020 a 2023 foram biotecnologia (11%); serviços financeiros (10%); comercialização de insumos agropecuários (7%); gestão e análise de plantio (7%) e agricultura de baixo carbono (7%).
Sobre os investimentos no segmento, foram realizados 116 deals entre janeiro de 2022 e dezembro de 2023, que movimentaram mais de R$ 3 bilhões. As startups de serviços financeiros (26%) e agricultura de baixo carbono (22%) tiveram a maior participação no montante total investido no período.
Leia mais: Dados conectam agronegócio, setor financeiro e sustentabilidade
O estudo traz também os países com maior distribuição de startups ativas. No primeiro lugar do ranking está o Brasil (83%), seguido pela Argentina (5%), México (4%), Colômbia (4%) e Chile (3%). Já com relação aos estados brasileiros com maior representatividade, temos São Paulo (41%), Paraná (11%), Minas Gerais (10%), Rio Grande do Sul (10%) e Santa Catarina (7%).
Marcela Guidi, gerente de Desenvolvimento de Novos Negócios de Tecnologia da John Deere, conversou com o IT Forum para detalhar ainda mais a importância da tecnologia e frisou a importância do Brasil para o mundo do agronegócio.
“O mercado vê a importância do Brasil não só em termos financeiros, mas como aumentar produtividade. Os Estados Unidos, por exemplo, podem, no máximo, aumentar a produtividade do milho que eles plantam entre as épocas de gelo. Aqui temos a oportunidade de ter duas ou três safras”, comenta.
Confira os melhores momentos do bate-papo:
IT Forum: Como a tecnologia ajuda o desenvolvimento do agronegócio?
Marcela Guidi: A tecnologia ajuda o agro e a comunidade como um todo. A população está crescendo. Hoje estamos com 8 milhões de pessoas e, até 2025, estaremos com 10 milhões. Para isso, precisamos dobrar a produção de alimentos para a segurança alimentar, além de necessidades secundárias, como vestimenta, moradia etc.
Para isso, precisamos ajudar os agricultores a produzir mais, com uma menor quantidade de recursos. Nos últimos 40 anos, aumentamos a produção de grãos em 545% e a área aumentou apenas 60% em comparação ao que tínhamos. Visando questões de sustentabilidade e segurança alimentar, esses produtores precisam aumentar a produtividade para não aumentar expressivamente a área e os recursos.
A tecnologia é importante para ajudá-los não só no quesito de maquinários, mas também em tecnologia de grãos, informação de clima, entre outros.
IT Forum: Mas, ainda que isso seja necessário, há desafios nessa jornada…
Marcela Guidi: Eu vejo dois grandes desafios nessa jornada: nosso maior gargalo está na conectividade. Para a agricultura digital e a aplicação de tecnologias, precisamos de conectividade. Hoje, apenas 30% das propriedades rurais têm acesso a internet. O número é baixo pois as torres estão em lugares que concentram a maior parte da população. As outras áreas que são remotas, que têm muitas propriedades ou comunidades menores, ficam sem conectividade. Eu vejo esse como um dos maiores gargalos e não apenas para agricultura, mas para ter outros serviços de qualidade, como medicina e educação.
E o outro gap é a aderência das tecnologias por parte dos agricultores. Quando eles aderem, veem que o benefício é maior do que o investimento, mas existe uma jornada. Precisamos ensinar que a tecnologia realmente faz sentido.
IT Forum: O 5G ajudará na conectividade?
Marcela Guidi: O 5G tem velocidade e retorno muito rápido, mas o nosso gargalo é cobrir com conectividade todas as áreas, mesmo que 2G, 3G ou 4G, e continuar expandindo com o 5G, porque quanto maior a velocidade, melhor.
IT Forum: Quando você cita a aderência da tecnologia, o pequeno agricultor está olhando para isso?
Marcela Guidi: Eles estão olhando para a tecnologia. É impressionante de ver a quantidade de pequenos agricultores buscando soluções. Há uma imagem que a empresas de máquinas agrícolas focam somente em grandes empresas, mas fazemos muito para empresas menores. Fazemos soluções e tecnologias para eles. E eles estão buscando isso.
Nós sempre temos reuniões com agricultores com portes de máquinas menores buscando entender melhor o que podem usar.
Hoje, temos mundialmente 650 mil máquinas conectadas ao nosso sistema por meio do Operation Center, uma plataforma digital aberta e disponível para os agricultores acessarem as informações de tudo o que está acontecendo. Até 2026 queremos chegar a 1,5 milhão de máquinas e isso poderá acontecer porque vamos ajudar com a conectividade e vamos conectar máquinas de menor porte ou mais antigas.
IT Forum: Você citou anteriormente a necessidade de tecnologia além do maquinário. Como o ecossistema poderá se ajudar para aumentar a produtividade?
Marcela Guidi: Eu posso te dar o exemplo do Operations Center. Na plataforma, temos uma estrutura com várias APIs em que empresas parceiras podem trocar informações. Na prática, a John Deere tem o know-how de fazer as máquinas inteligentes e com muita capacidade operacional, mas não temos o conhecimento para fazer recomendação agronômica.
Mas temos APIs que empresas com agrônomos se conectem, acessem as informações dos clientes que permitem e façam o plano de amostragem. Eles vão fisicamente buscar a amostragem do solo mapeado, fazem a análise e o agrônomo cria a recomendação de arquivo de prescrição. Com a integração, a informação sai da plataforma do agrônomo e vai para plataforma do cliente e a interface mostra o que plantar em cada ponto.
IT Forum: Para o agricultor que ainda não começou a olhar para a tecnologia, por onde ele deveria iniciar sua jornada?
Marcela Guidi: Ele precisa começar conhecendo as tecnologias. Fazer uma jornada tecnológica. Por exemplo, se hoje eu não tenho nenhuma máquina conectada, eu posso pegar o trabalho do último ano e colocar na plataforma. A partir disso, começo a ver valor em ter os dados e, mesmo que não queira trocar de máquina, posso conectá-la a partir do modem, para testar a tecnologia.
O agricultor, dessa forma, vai sentindo fome de acessar mais dados e vai querer testar novas coisas. O investimento vem naturalmente.
IT Forum: Por fim, qual a relevância do Brasil para a tecnologia do agronegócio mundial?
Marcela Guidi: O mercado vê a importância do Brasil não só em termos financeiros, mas como aumentar produtividade. Os Estados Unidos, por exemplo, podem, no máximo, aumentar a produtividade do milho que eles plantam entre as épocas de gelo. Aqui temos a oportunidade de ter duas ou três safras. Ou seja, se a gente aumenta a produtividade, é muito mais. A gente tem o clima super favorável, temos muita oportunidade de fazer as áreas serem mais produtivas sem necessidade de derrubar uma árvore.
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Editora do IT Forum. Jornalista com mais de dez anos de atuação na cobertura de tecnologia. É a quarta jornalista de tecnologia mais admirada no Brasil, pelo prêmio “Os +Admirados da Imprensa de Tecnologia 2022” e tem a experiência de contribuições para o The Verge.

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