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Quase 11 milhões de mulheres atuam no agronegócio brasileiro. Foto: Envato
As mulheres sempre trabalharam no agronegócio, seja administrando suas casas, famílias ou ao lado dos pais, maridos, irmãos e filhos na lida direta antes, dentro ou fora da porteira. De 40 anos para cá, no entanto, elas começaram a assumir com mais frequência, cargos de gestão e liderança dos negócios ligados ao setor.
Dia 8 de março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher, por suas conquistas sociais, políticas e econômicas. No agro, celebramos elas que desbravam terras, abrem caminhos, pilotam tratores, plantam, colhem, cuidam dos rebanhos, atuam na linha de produção e representam o segmento em entidades de classe.
O lado feminino do agro cresce ano a ano. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em estudo parceiro com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), quase 11 milhões de mulheres trabalharam no agronegócio brasileiro em 2023.
Com relação ao segmento em que atuam, 82 mil mulheres estão na parte de insumos, 4,5 milhões de mulheres trabalham dentro da porteira, sendo 33% das pessoas que estão no setor; 1,9 milhão de mulheres na agroindústria, com participação de 41% do total; e 4,3 milhões estão empregadas em agrosserviços, significando 43% do total.
Na parte de gestão, 31% das propriedades rurais no país são comandadas por mulheres, nos cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Elas ocupam ainda, 19% dos cargos de direção em empresas do agronegócio brasileiro, sendo 73,1% atuando dentro da porteira, 13,9% nos elos da cadeia produtiva depois da porteira e 13% antes da porteira.
Dessa pesquisa do IBGE, de acordo com as mulheres entrevistadas, 59,2% são proprietárias ou sócias; 30,5% são funcionárias ou colaboradoras; e 10,4% são gestoras, diretoras, gerentes, coordenadoras ou atuam em funções administrativas.
Especificando por ramos de atividade, a atuação feminina é mais forte na produção das lavouras permanentes, com 57% das mulheres; seguida pela produção da pecuária e criação de animais (24%), produção de lavouras temporárias (9%), horticultura e floricultura (8%) e produção florestal (1%).
As irmãs Marlucia Alves Morelli, de 55 anos, e Maria Pereira Alves Costa, de 63 anos , produzem goiaba na propriedade localizada na Gleba Santa Terezinha, zona rural de Itaporã, no Mato Grosso do Sul.
A atividade começou quando elas decidiram comprar um terreno com o dinheiro da aposentadoria. Preparam a terra, começaram a plantar diversas, mas decidiram que o caminho estava na fruticultura, principalmente na produção de goiaba.
Após duas geadas e de perder praticamente toda a produção, além da pandemia, as irmãs se recuperaram com a ajuda da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizado Rural (Senar).
“Procuro mostrar para meus filhos que dá para eles viverem com a propriedade, que não precisam sair. Estão estudando, podem continuar, mas que continuem administrando, porque esse é o sonho da família”, diz Marlucia.
Hoje, além de produzir goiabas, beneficiam a fruta na própria agroindústria e fabricam geleias e goiabadas com a receita da mãe, com a marca Doce Conquista.
“Nós, como mulheres e negras, sofremos muitos preconceitos, mas superamos. Podemos dizer que temos uma história de superação. Tudo que passamos, sobrevivemos e, com o apoio do Senar, hoje somos vitoriosas”, ressalta Maria.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) criou em agosto de 2023 a Comissão Nacional das Mulheres do Agro para reforçar a atuação delas no setor e, à frente como presidente do colegiado, está Stéphanie Ferreira Vicente, de 31 anos.
A jovem é descendente de três gerações de pecuaristas e engenheira agrônoma pela Esalq/USP. É egressa do programa CNA Jovem, que forma lideranças para o agronegócio, sendo atual vice-presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas/MS e membro da diretoria do Sistema Famasul. Atua hoje com assessoria pecuária e foco no desenvolvimento sustentável do setor pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-MS).
Para ela, a Comissão representa um espaço de gerar oportunidades de capacitação e apoio às mulheres ligadas ao agro, dando voz para que elas ocupem seus espaços e representem o setor no mundo.
“O que queremos na comissão nacional é mostrar para mulheres que elas podem ocupar posições de liderança, tomada de decisão, dentro da porteira e dentro das instituições que representam a classe. Tendo mais mulheres, aumentamos a representatividade feminina,e as decisões que vierem tendem a serem mais justas a nossa realidade e começamos a ser escutadas, não só como mulheres, mas como produtoras rurais e representamos e fortalecemos a agropecuária nacional”, aponta Stéphanie Ferreira.
Stéphanie aponta que a igualdade de gênero no agronegócio é um caminho que só existe se todas se fortalecerem como mulheres juntas, mulheres do agro, com identidade, capacitação e desenvolvendo, atuando com segurança no trabalho com foco no propósito que se quer colher.
“Juntas criamos um ambiente seguro, e criando esse ambiente, a partir do momento que estamos fortes vamos enfrentar as barreiras e ter mais mulheres ocupando essas cadeiras e posições. Todos os desafios que vão surgir a gente consegue ultrapassar de uma forma mais fácil, menos desgastante. Gosto muito de olhar pra dentro. A gente fortalecendo o nosso trabalho e propósito é onde conseguimos mais fácil superar essas barreiras”, enfatiza.
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