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Apesar da queda em fevereiro, juros do cartão de crédito seguem acima de 400% ao ano, patamar proibitivo. Juro médio cobrado pelos bancos também registrou queda no período. Os juros médios cobrados pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo recuaram de 419,3% ao ano, em janeiro, para 412,5% ao ano em fevereiro deste ano, informou o Banco Central nesta terça-feira (2).
Com recuo de 6,8 pontos percentuais em fevereiro, a taxa de juros dessa modalidade de crédito atingiu o menor patamar desde dezembro de 2022, quando estava em 411,9% ao ano. A série histórica do BC tem início em março de 2011.
Apesar da queda da taxa em fevereiro, a segunda consecutiva, essa modalidade de crédito continua com juros proibitivos, acima de 400% ao ano.
O crédito rotativo do cartão de crédito pode ser acionado por quem não pode pagar o valor total da fatura na data do vencimento, mas não quer ficar inadimplente.
Essa é a linha de crédito mais cara do mercado e, segundo analistas, deve ser evitada. A recomendação é que os clientes bancários paguem todo o valor da fatura mensalmente.
Limitação da dívida
Fevereiro foi o segundo mês de validade da decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), divulgada no fim do ano passado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que limita o valor total da dívida dos clientes no cartão de crédito rotativo. A medida começou a valer em 3 de janeiro.
Por exemplo: Se a dívida for de R$ 100, por exemplo, a dívida total, com a cobrança de juros e encargos, não poderá exceder R$ 200. O custo do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF), entretanto, está fora desse cálculo. Isso vale somente para débitos contraídos a partir de janeiro.
No mês passado, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicou que a solução adotada pelo CMN de limitar a dívida do cartão de crédito – que já havia sido aprovada anteriormente pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula – seria temporária.
“A gente precisa ainda estudar esse assunto, ver como vai fazer de uma forma equilibrada. Começamos a ver a inadimplência melhorando, é um bom sinal (…) Não temos uma solução hoje, avaliamos várias soluções. Temos uma solução de curto prazo que melhorou um pouco, a gente precisa entrar em um entendimento”, declarou o presidente do BC, Roberto Campos Neto, em janeiro.
A discussão sobre os juros do cartão de crédito rotativo tem gerado atrito entre os bancos e credenciadoras independentes, as chamadas maquininhas.
Como pano de fundo das discussões, está o parcelado sem juros no cartão de crédito, questionado pelos bancos, mas defendido pela equipe econômica e pelas credenciadores independentes.
Juros e crédito bancários
Em fevereiro deste ano, ainda de acordo com o Banco Central, a taxa média de juros cobrada pelos bancos em operações com pessoas físicas e empresas caiu 0,3 ponto percentual em 2023, para 40,2% ao ano. Esse é o menor patamar desde junho de 2022, quando estava em 38,9% ao ano.
O juro foi calculado com base em recursos livres – ou seja, não inclui os setores habitacional, rural e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A queda do juro bancário médio acontece ao mesmo tempo da redução da taxa básica da economia, que recuou de 13,75% ao ano, que começou a recuar em agosto do ano passado. Desde então, foram cinco reduções. Atualmente, a taxa está em 10,75% ao ano, a menor em dois anos.
A taxa média de juros cobrada nas operações com empresas caiu de 22,3% ao ano, em janeiro, para 21,4% ao ano em fevereiro deste ano. Com a queda de 0,9 ponto percentual, atingiu o menor patamar desde dezembro de 2023 (20,9% ao ano).
Já nas operações com pessoas físicas, os juros caíram de 52,5% ao ano, em janeiro, para 52,4% ao ano em fevereiro deste ano. Com a queda de 0,1 ponto percentual, atingiu o menor nível desde junho de 2022 (51,5% ao ano).
No cheque especial das pessoas físicas, a taxa subiu de 125,8% ao ano, em janeiro, para 131,8% ao ano em fevereiro de 2024. Com isso, atingiu o maior patamar desde setembro de 2023 (133,9% ao ano).
Já o volume total do crédito bancário em mercado, de acordo com o Banco Central, subiu 0,2% em fevereiro deste ano, para R$ 5,79 trilhões. No fechamento do ano passado, estava em R$ 5,78 trilhões.
“Esse desempenho resultou da diminuição de 0,2% no estoque de crédito às empresas, que totalizou R$ 2,2 trilhões, em contrapartida ao aumento de 0,5% no destinado às famílias, R$ 3,6 trilhões. “, explicou a instituição.
O volume total de crédito livre às famílias subiu 0,3% no mês de fevereiro, e 8,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, impulsionado, principalmente, pelas altas das carteiras de crédito pessoal consignado para beneficiários do INSS (2,0%), crédito pessoal não consignado (1,6%), financiamento para a aquisição de veículos (1,2%) e crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor público (0,6%).
Inadimplência
De acordo com dados do Banco Central, a taxa de inadimplência média registrada pelos bancos nas operações de crédito ficou estável em 3,3% em fevereiro — o maior patamar desde novembro de 2023 (3,4%).
Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência ficou estável em 3,7% de janeiro para fevereiro.
Já a inadimplência das empresas permaneceu inalterada em 2,6% de janeiro para fevereiro.
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