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A disseminação dos javalis por todo o território do Estado de São Paulo evidencia a magnitude do desafio enfrentado pelas autoridades e produtores locais, que buscam soluções eficazes para conter a expansão
por Leandro Fidelis
em 16/04/2024 às 11h36
9 min de leitura
O agricultor Reynaldo de Barros (São Manuel) relata a frustração com a inação das autoridades em abordar a questão de forma eficaz, criticando a burocracia que impede uma resposta rápida e eficiente. Enquanto isso, os produtores continuam a suportar perdas significativas. (*Fotos: Divulgação)
A invasão de javalis representa um desafio alarmante para o agronegócio paulista. A presença desses animais tem causado prejuízos significativos aos produtores, com perdas de até 20% nas plantações de milho e danos em outras culturas, como seringueira, soja e cana-de-açúcar. Além disso, há uma preocupação com o aumento exponencial da população desses animais e os desafios para controlá-la, visto que os javalis se reproduzem rapidamente e não possuem inimigos naturais no Estado.
Com o objetivo de diminuir o agravamento dos impactos dos javalis nas lavouras, no último dia 04 de abril, o Comitê de Sustentabilidade da Sociedade Rural Brasileira (SRB) promoveu uma reunião com a participação da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA). Na ocasião, o professor e coordenador do Controle de Capivaras e Javalis da Esalq/USP, Paulo Bezerra, também presidente do Núcleo de Pesquisa e Conservação da Fauna e Flora Silvestre (NPC), apresentou o impacto do javali na produção paulista.
Posteriormente, SRB e SAA, representada pelo coordenador da Assessoria Técnica do Gabinete, Alberto Amorim, formularam um ofício encaminhado ao secretário, Guilherme Piai, propondo soluções imediatas para o controle da praga.
“É necessário implementar o sistema de manejo de fauna e controle para reduzirmos os riscos de zoonoses, doenças que afetam o meio ambiente, a fauna, o rebanho e as pessoas. Os javalis predam animais e deixam os nossos felinos sem comida que, por isso, acabam invadindo as cidades”, destaca Amorim.
A presença dos javalis tem se intensificado e expandido para diversas regiões do Estado. Em São Manuel, no Centro-Oeste, os ataques aterrorizam há pelo menos dez anos o agricultor Reynaldo Emygdio de Barros, que cultiva cana-de-açúcar, laranja, milho e seringueira. Este ano, o que o surpreendeu foi a presença dos animais no seringal. Cerca de 1.500 mudas de seringueira já foram destruídas desde o início de março.
“Foi um ‘strike’. Eles nunca tinham atacado as seringueiras antes. Em bando, de 15 a 20 animais fuçaram as covas molhadas e arrancaram as mudas, que custam de R$ 40 a R$ 50 enxertadas e se desenvolveriam nos próximos cinco anos”, relatou.
No último dia 04 de abril, o Comitê de Sustentabilidade da SRB promoveu uma reunião com a participação da Secretaria de Agricultura e aberta à participação on-line da imprensa.
O prejuízo acumulado ao longo dos anos chega a cifras alarmantes, entre R$ 100 mil e R$ 200 mil por ano. Reynaldo observa que os javalis se tornaram mais numerosos e ousados nos últimos três anos, afetando não apenas grandes plantações, mas também pequenos produtores, que muitas vezes abandonam certas culturas devido aos constantes danos, a exemplo da mandioca.
“No milho, de 10% a 20% das roças de maior porte é para os javalis. Roça pequena vai tudo. Eles não comem cana, mas se escondem e reproduzem no canavial. É um bicho terrível, não sei o que fazer”.
Ele expressa ceticismo sobre a capacidade das autoridades em lidar com o problema, destacando que apenas uma crise sanitária grave poderia levar a uma ação significativa. “As autoridades falam em tese. Se estivessem preocupadas em minimizar esse problema, teriam que desburocratizá-lo vertiginosamente. Os produtores vão continuar no prejuízo. Se os bichos trouxessem doenças, sentiríamos na pele o seu impacto”, afirma.
Outro agricultor que enfrenta os constantes desafios impostos pelos javalis é Antônio Cosentino Neto, de Botucatu, produtor de cana, soja, milho e que também se dedica à pecuária de corte. Há cerca de oito anos, o município tem sido alvo desses animais, causando prejuízos significativos. A plantação de milho é particularmente a mais afetada na propriedade, com perdas que chegam a 20%. Neto relata episódios de danos em mudas de seringueira e em áreas de plantio de cana, destacando a necessidade urgente de tratar os javalis e também javaporcos (híbrido fruto do cruzamento com porcos domésticos) como uma verdadeira praga e simplificar os processos burocráticos para o controle, antes que a situação se agrave ainda mais.
Já Adilson Gomes Camargo (vídeos abaixo), de Taquarituba, compartilha nos grupos de WhatsApp vídeos da destruição dos javalis na sua propriedade. A rapidez da ação dos animais é verificada principalmente nas lavouras de milho. “Teve um dia que fui à roça por volta das 22 horas e estava tudo em ordem. Minutos depois, os pés de milho estavam caídos”, conta.
Javalis representam uma praga em expansão no Estado de São Paulo e em todo o Brasil, como observado pelo professor Paulo Bezerra, especialista com 40 anos de experiência. Originários da Europa e Ásia, onde são combatidos há centenas de anos, esses animais exóticos têm causado grandes problemas em território brasileiro, com impactos devastadores em diversas áreas. A espécie de maior incidência no país é a Sus scrofa scrofa.
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O abate também tem sido um problema. O número alarmante de javalis abatidos por dia no Brasil, conforme dados do Simaf/Ibama, destaca a urgência da situação. Em São Paulo, as autorizações para o controle desses animais ultrapassaram os 33 mil em 2022. Naquele mesmo ano, foram declarados abatimentos de 571 javalis por dia no Brasil, sendo 186/dia em São Paulo.
Para o professor, isso representa um terço do cenário real declarado por 40% dos 20 mil caçadores cadastrados no Simaf e devidamente legalizados.
“Se não existir esforço proporcional, não vamos conseguir reduzir a população. E não estamos falando de erradicar. Cada dia sem abate vai gerar um acréscimo populacional de 14.384 javalis em três anos. É raro um município paulista que não tenha contato com javali”.
Comparados a outros suínos nativos, como o cateto e o queixada, os javalis se destacam pela sua biomassa (chega a 300 kg) e eficiência reprodutiva, tornando seu controle um desafio. No entanto, as tentativas de controlar sua população através da caça enfrentam obstáculos legais e logísticos, com o descarte de carcaças sendo um dos problemas enfrentados devido à legislação restritiva. “Na nossa legislação, feita por Instruções Normativas do Ibama, e não por leis ou decretos, não se pode doar ou comercializar a carne”, disse Bezerra.
De acordo com Bezerra, grandes fazendeiros e empresários entraram no mercado de abate de javalis no passado por ser uma atividade lucrativa. “Era um animal muito valorizado. Ninguém podia perder um javali porque era muito caro. Cada animal valia até mil reais. Entre 2007 e 2008, quando se podia abater, o rebanho era de 4.777 animais distribuídos em 55 municípios paulistas”. Estabelecidas no Brasil com a intenção inicial de exportação, as fazendas de javalis resultaram em uma população descontrolada desses animais invasivos e de hábitos predominantemente noturnos.
A falta de predadores naturais para os javalis no Brasil agrava a situação. Diferentemente da Europa, onde esses animais enfrentam um controle mais eficaz devido à presença de predadores naturais e políticas de controle populacional mais rigorosas. Paulo Bezerra destaca a magnitude do problema, enfatizando que o impacto dos javalis na fauna local é significativo, afetando não apenas a vegetação, mas também outras espécies animais, como as capivaras, cuja população é amplificada devido à diminuição de seus predadores naturais.
Paulo Bezerra destaca a magnitude do problema, enfatizando que o impacto dos javalis na fauna local é significativo, afetando não apenas a vegetação, mas também outras espécies animais.
O Estado de São Paulo se tornou um território fértil para a proliferação dos javalis, com vastas áreas propícias à invasão. Com 6,2 milhões de hectares dedicados ao cultivo de cana, somados aos 4 milhões de hectares de matas nativas e plantações de eucalipto, só para citar algumas áreas, os animais encontram um ambiente abundante em alimentos.
Ao contrário da Europa, onde as baixas temperaturas e a neve limitam sua expansão, em São Paulo, eles têm acesso fácil a uma variedade de culturas, como mandioca e amendoim, garantindo “comida à vontade”, ressalta o professor Paulo Bezerra. “Não come laranja, mas estraga os sistemas de irrigação”.
O controle dos javalis no Estado de São Paulo e em todo o Brasil enfrenta desafios. Apesar da presença de manejadores, controladores e caçadores excepcionais, a reprodução rápida desses animais torna difícil a contenção apenas por meio da caça. De acordo com Bezerra, um único javali fêmea pode gerar até 32 filhotes em um período de quatro anos, e o abate seletivo de machos não tem impacto significativo no controle da população. “Estima-se que existam 300 mil fêmeas de javali em São Paulo. Só os caçadores não dão conta sozinhos, mas ajudam. Pior seria sem eles”, disse.
A sugestão do professor é o uso de bretes com sistema automático de contagem para capturá-los, visando minimizar os danos e controlar a expansão da população de javalis, especialmente considerando que quase metade do território de São Paulo é propício para esses animais. A utilização de tecnologias como o brete pode ser uma medida eficaz para os setores público e privado conterem a proliferação.
No entanto, o atraso na implementação dessas medidas representa um risco crescente, especialmente para a segurança nas estradas. A exemplo da região Noroeste do Estado, onde já foram registrados acidentes automobilísticos envolvendo javalis. “A determinação que foi dada pelo governador ao secretário Piai (Guilherme) é tratar o assunto no detalhe e com muita dureza. Está na pauta zero do Estado o combate à expansão da praga do javali”, declarou Alberto Amorim (SAA).
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