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O CEO da Eneva, Lino Cançado, afirmou que a companhia vê na frota movida à Gás Natural Liquefeito (GNL) do agronegócio do Matopiba – anagrama para a fronteira agrícola que reuniu os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – um mercado promissor para o gás natural produzido no Complexo do Parnaíba (MA).
Hoje, as operações da companhia na Bacia do Parnaíba somam uma capacidade de produção de 8,4 milhões de m3 de gás natural por dia.
“Existe uma rota de escoamento do agronegócio brasileiro que vem do Matopiba, que passa justamente em cima dos nossos ativos e vai até o Porto de Itaqui”, disse Cançado, nesta quarta (17/4), em entrevista à gas week 2024, realizada pela agência epbr. Assista a entrevista na íntegra!
“É uma rota que tem um consumo altíssimo de diesel. Se olharmos o entorno do Complexo do Parnaíba, e fizermos um raio ali de mil quilômetros, e puder imaginar que todo o diesel que é consumido ali fosse convertido para gás, isso é equivalente a 9 milhões de metros cúbicos por dia, a produção inteira da Eneva”, avalia.
Como estratégia para desenvolvimento da demanda de gás por veículos pesados, a empresa, ao lado da Virtu GNL, fechou um contrato de aquisição de 180 caminhões a gás da Scania para atender a clientes industriais, a partir da produção no Maranhão.
“Esse é o mercado que a gente quer desenvolver”, pontua Cançado.
Desse total, 30 veículos serão usados pela GNL Brasil, uma joint venture da Eneva com a Virtu, para atendimento aos contratos firmados pela empresa para a venda de GNL em pequena escala para Vale e Suzano no Maranhão. Os caminhões devem começar a rodar ainda em julho deste ano.
“Estamos construindo os dois primeiros trens de liquefação em pequena escala do Parnaíba, que são capazes de processar até 300 mil metros cúbicos, cada um deles, uma capacidade total de 600 mil metros cúbicos, justamente para começar a atender esses dois clientes e outros mais que nós ainda estamos em discussão”, explica o CEO.
Segundo ele, a intenção é oferecer a grandes frotistas a oportunidade de conversão da frota de diesel para GNL, a partir da parceria com a Virtu.
“É a forma que a gente pensa em começar a desenvolver esse mercado, um corredor único, a gente chama de corredor azul, Matopiba-Itaqui, e buscando grandes transportadores que tenham interesse em reduzir a pegada de carbono das suas frotas”.
A complementaridade com o agronegócio vai além do consumo de GNL pela frota pesada, e também passa pela possibilidade do próprio setor ser um grande produtor de biometano e BioGNL, a partir de resíduos agrícolas. Atividade que a companhia também espera entrar.
“O biocombustível vai ser um negócio no Brasil. Temos matéria-prima suficiente vindo do agronegócio brasileiro, tecnologia existente, acredito que é uma questão de tempo.
Sempre olhamos com bastante carinho como é que vamos participar disso. Temos conversas que, em algum momento, vão evoluir para alguma nova linha de atuação da companhia”, conta Cançado.
O executivo lembra que o transporte é o terceiro maior setor emissor de CO2 do Brasil, e que a entrada do GNL, e posteriormente do BioGNL, é uma grande oportunidade de descarbonização da malha rodoviária brasileira.
Para Cançado, é possível que, assim como ocorreu com a mistura do biodiesel no diesel, o mesmo passe com a mistura de biometano ao gás natural.
“O gás natural, além de dar o primeiro passo de redução frente ao diesel, ele ainda abre a avenida de depois você poder fazer o blend com algumas quantidades de BioGNL, e aí reduzir ainda mais a pegada de carbono do transporte brasileiro”.
Além da redução das emissões, a substituição do diesel por gás natural na frota também representa um ganho econômico para o país – hoje grande importador de diesel.
“O diesel não é barato, é caro. Mais ou menos um quarto do diesel brasileiro é importado (…) O GNL que a Eneva vai fornecer é explorado, produzido, tratado, liquefeito, transportado, 100% com recursos brasileiros (…) Estamos desenvolvendo pessoas e estamos desenvolvendo regiões do Brasil que são menos desenvolvidas do ponto de vista industrial”.
Para o executivo, a eletrificação de veículos pesados, bem como a adição de tecnologias de elétrica a hidrogênio ainda levaram décadas para serem uma realidade.
“Na nossa visão, nós estamos há duas décadas de isso acontecer, três décadas. Um país com fontes continentais como o Brasil, o volume de carga que é transportado através das nossas rodovias. Se fizer um pouco de conta, quem conhece um pouco de física do segundo grau, rapidamente vai perceber que não tem como dar um salto desse de uma vez rapidamente”, avalia.
Segundo Cançado, o gás natural ainda terá papel importante na transição energética, especialmente com o aumento da demanda de energia e o desenvolvimento de tecnologias de captura e armazenamento de carbono.
“Acreditamos que o gás vai estar aí por muito tempo ainda, como vão estar outros combustíveis fósseis. Acreditamos também em buscar soluções que capturem a armazenagem de CO2 inclusive associado, por exemplo, à produção de biocombustíveis, você pode produzir combustíveis com pegada de carbono negativa”.
O CEO não vê uma grande ameaça à demanda de termoelétrica, com a possibilidade da participação de hidrelétricas no próximo leilão de capacidade de reserva prometido pelo governo.
“Se você quer contratar realmente confiabilidade para o sistema no momento de estresse, só tem uma coisa que vai te dar isso, a termelétrica a gás”, comenta.
“A hidrelétrica responde muito rápido para a demanda de pico quando você tiver água no reservatório, se você tiver um momento de estresse hídrico que não tiver (…) Como é que vai ser tratado se uma hidrelétrica não conseguir entregar aquilo para o que ela foi contratada no momento que foi demandada?”
Na avaliação do executivo, o Ministério de Minas e Energia tem sido prudente em escutar agentes e ampliar o prazo da consulta pública sobre o tema.
“Tem questões bem delicadas que têm que ser tratadas aí”.
Cobertura completa da gas week 2024 realizada pela agência epbr
© 2020 agência epbr
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