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Por Paulo Alvares e Juliana Shiraishi*

A China é indiscutivelmente um dos maiores parceiros comerciais do Brasil em diversos setores, e isso não é diferente na agricultura. Hoje, nosso país é o principal exportador de soja e carne bovina para a China. Em uma visita ao país, notamos que há um aumento no interesse mútuo em outros produtos e serviços que ambos os países podem negociar.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, compilados pelo Insper (instituição de ensino superior que atua nas áreas de negócios e economia, entre outras), as exportações do agronegócio brasileiro atingiram um patamar histórico em 2023: foram totalizados US$ 167 bilhões, alta de 5% em relação a 2022 (US$ 159 bilhões). Esse volume engloba diversas commodities e outros bens, como carne e até mesmo produtos florestais.
O gigante asiático é um dos maiores fornecedores de insumos agrícolas para o Brasil, especialmente moléculas utilizadas nas lavouras para o manejo de pragas e doenças. Porém, esse número foi um pouco menor no ano passado. Ainda segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, as importações do agronegócio brasileiro caíram 16% na comparação anual. Houve um recuo, principalmente, na importação de insumos (fertilizantes, pesticidas, medicamentos agropecuários e máquinas e equipamentos), de 32%.
De fato, há alguns fatores que podem colocar um freio no crescimento de negócios entre os dois países, um deles é o processo de registro de novos produtos. No Brasil, esses trâmites são tidos como mais demorados do que em outros países, inclusive sendo pauta de diversas discussões e leis regulatórias no Congresso Nacional.
Todos os anos, novos produtos são lançados no mercado e o processo de aprovação e regulamentação sempre foi uma preocupação para parceiros estrangeiros. Por isso, a indústria brasileira precisou fazer o que faz de melhor: criar soluções para atender as demandas. Assim nasceram as tradings, empresas com objetivo de adquirir insumos agrícolas de países como a China, para distribuição no mercado interno.
Dentro do ecossistema da Crop Care, por exemplo, temos a Perterra Trading, empresa com sede no Uruguai que nasceu com o objetivo de intermediar negócios com os mercados estrangeiros. Afinal, para que o negócio se mantenha sólido, é preciso manter uma relação próxima com seus fornecedores. E isso vale para qualquer empresa, de qualquer setor.
Em nossa visita à China, em março desse ano, tivemos a oportunidade de estreitar ainda mais o relacionamento com os parceiros chineses, além de ouvir quais são as expectativas do mercado.
Um ponto que vale destacar é a nossa importância enquanto potência agrícola mundial. Sim, a China é uma grande produtora, mas não há como ela ser uma grande produtora sem contar com o Brasil para escoar mercadorias. Esse é um ponto relevante e que ajuda a sustentar nossas parcerias. Além disso, é uma relação que sempre foi amistosa, muito amigável.

Do ponto de vista de quem tem contato com esse mercado 24 horas por dia e sete dias por semana, o investimento tecnológico em sites e novas plantas produtivas na China é algo nunca visto em outras partes do mundo. O Brasil está em um ponto vantajoso para os negócios, sendo o polo produtivo que é.
Outro fato observado em conversas é que muitas das grandes fabricantes de moléculas buscam o serviço de distribuição, algo muito positivo, já que demonstra o interesse em seguir com vendas de produtos já formulados, e não apenas com os princípios ativos e matérias-primas. Para muitos, há uma preocupação em relação aos preços, que se apresentam como os menores dos últimos cinco anos. Há reclamações em relação ao prejuízo, principalmente relacionado à safra encolhida que estamos presenciando.
Porém, há espaço para grandes expectativas e positividade em relação ao movimento do mercado. Apesar da preocupação, não há receio de uma possível falta de produtos, tanto para importação quanto para exportação. E acima de tudo, apesar do cenário de regulação, que pode causar impactos, os parceiros estrangeiros estão com boas perspectivas para o desenvolvimento de novas moléculas e registros.
Cautela e uma boa análise são elementos fundamentais ao fechar um negócio. Muitas consultorias e analistas apontam um mercado difícil em alguns momentos para o agronegócio para a safra 2024/2025. Mas apesar disso, temos um certo conforto em saber que nossos maiores parceiros comerciais seguem com um olhar otimista e confiante no mercado brasileiro.
*Paulo Alvares é diretor de Assuntos Regulatórios e P&D da Crop Care e Juliana Shiraishi é Head of Strategic Sourcing da Perterra, empresa da holding Crop Care.
Obs: As ideias e opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de seu autor e não representam, necessariamente, o posicionamento editorial da Globo Rural
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