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Na segunda-feira (1.º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alegou que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) não invade terras há “muito tempo” no Brasil, além de incitar o agronegócio a temer os bancos. Em Feira de Santana (BA), durante entrevista à rádio Princesa, o petista sugeriu que os sem-terra se transformaram de invasores em produtores orgânicos de pequeno porte.
“Faz tempo que sem terra não invade terra nesse país. Faz muito tempo. Faz muito tempo que os sem terra fizeram uma opção de se transformar em pequenos produtores altamente produtivos”, disse o presidente da República, sem citar dados sobre a produtividade do grupo.
Lula disse ainda que os bancos seriam uma ameaça maior que os sem terra para os produtores rurais.
“O agronegócio não deveria ter medo das ocupações dos sem terra. Porque quem está tomando a terra deles hoje são os bancos que compram títulos da dívida agrária. E o banco quando compra um título ele é imperdoável. Ele vai em cima e recebe ou toma a terra”, acrescentou.
O MST atraiu atenção em 2023 com uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) investigando as atividades do grupo. No ano passado foram registradas 71 ocupações, um aumento de 208%, comparado a 2022. O número foi maior do que o registrado nos 4 anos anteriores somados.
No dia 5 de junho, militantes do MST invadiram a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Maceió, Alagoas. Foi a segunda invasão pelo MST ao órgão público em 2024; a primeira ocorreu no dia 29 de abril. A justificativa para as invasões envolveu motivações políticas: a indicação pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), de um aliado seu à superintendência do Incra. A nomeação teria desagradado o movimento.
Após o “Carnaval vermelho”, o MST totalizou 26 invasões no denominado “Abril vermelho”, segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo. Já o portal de notícias O Antagonista mencionou 32 invasões no referido mês. As invasões ocorreram em dez estados: Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Sergipe.
No início de abril, em reação às invasões do movimento, produtores rurais lançaram a campanha “Abril Amarelo”. A iniciativa foi criada por um grupo de aproximadamente 35 mil produtores denominado “Invasão Zero”, visando proteger suas terras.
“Deflagramos [o ‘Abril Amarelo’] em todos os estados em que temos influência, para que todos os produtores se organizem. É uma reação. Eu espero que isso possa conter e evitar essas invasões que eles [MST] gostam tanto de fazer nesse mês de abril”, explicou na época Luiz Uaquim, um dos coordenadores do Invasão Zero.
Em reação aos atos do MST, a Câmara dos Deputados aprovou em 22 de maio o Projeto de Lei 709/2023, que pune invasões de prédios públicos e propriedades rurais. Porr ampla maioria de 336 votos contra 120, o texto aprovado determina que quem cometer esses crimes fica proibido de receber benefícios do governo, como participar do programa Minha Casa Minha Vida, concursos públicos e receber Bolsa Família.

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