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A alta do dólar traz algum alento, mas sem quebras de safra o excesso de soja pode tirar até US$ 1 por bushel na safra 24/25.
Marcos Rubin
Se os produtores rurais brasileiros — e com eles quase toda as empresas que atuam no setor agrícola — pudessem realizar um desejo, seria muito provavelmente o seguinte: que os preços dos grãos voltassem aos altos patamares em que estavam até o ano passado.
Isso encurtaria o doloroso processo de ajuste no agronegócio iniciado em meados do ano passado e que reduziu as margens em praticamente toda a cadeia. Os produtores retomariam os investimentos. Os fornecedores de insumos aumentariam margens. Um novo ciclo de expansão recomeçaria rapidamente.
Mas quais as chances reais de que o desejo se realize? Por ora, somente a disparada recente da taxa de câmbio trouxe algum sinal de recuperação nos preços domésticos, sem proporcionar uma alta mais significativa.
Do ponto de vista da oferta e demanda, tudo aponta para outra direção. Há um excesso de soja e milho no mercado que não encontra contrapartida na demanda. E há grandes probabilidades de que os preços agrícolas permaneçam deprimidos por mais tempo.
Um forte componente climático no segundo semestre certamente teria força suficiente para mudar as cotações de patamar no segundo semestre.
Não aconteceu com a safrinha brasileira, já consolidada há várias semanas acima das 100 milhões de toneladas de acordo com os nossos modelos de produtividade baseados em dados de satélite.
As chances de uma quebra nos Estados Unidos diminuem, onde a soja e o milho estão nas melhores condições de desenvolvimento desde 2020. Tanto é assim que o mercado climático neste mês de junho foi dos mais tranquilos dos últimos anos.
Os preços ainda podem subir em caso de problemas no plantio da safra sul-americana, de setembro em diante — com risco evidente para as nossas lavouras.
O fato é que ajustes na oferta dos grãos historicamente são deixadas a cargo das quebras provocadas pelo clima. Seja pela inércia no planejamento da abertura de áreas ou pela propensão para tomar risco, os produtores raramente tomam a iniciativa de reduzir a produção.
Em condições normais, teremos de lidar com ofertas de soja e milho ainda bastante altas em na safra 2024/25. E nesse caso os fundamentos vão pressionar os preços ainda mais para baixo.
Fizemos simulações sobre qual o piso de preços para a soja e o milho nesta próxima safra. Consideramos no cálculo duas variáveis:
Os resultados mostram que na média o custo da soja da safra 2024/25 deve ser US$ 1,00 por bushel menor do que na safra da safra atual. Ou seja: podemos esperar uma pressão negativa de pelo menos US$ 1 por bushel nos preços da soja para o ano que vem (considerando que não haverá quebra de safra).
Evidentemente, o resultado varia de uma região para outra, de acordo com os diferentes sistemas de produção e os níveis de tecnologia empregada (o que torna essa simulação bastante complexa). Em algumas regiões o custo de produção pode chegar a US$ 10,0 por bushel ou muito próximo disso, deixando as margens dos produtores mais apertadas.
Nas regiões mais “baratas” — como é o caso dos Campos Gerais (PR), com custo de produção aproximado de US$ 7,0 por bushel — o produtor terá mais fôlego para absorver o recuo nos preços da soja. (Veja as estimativas de custo FOB por região em um estudo mais detalhado que enviamos aos clientes em maio.)
No caso do milho, a análise aponta para uma queda de 8% no custo FOB da safra 2024/25. Significa que, num contexto de oferta abundante de milho, o produtor tem um pequeno espaço para absorver novas reduções de preços no mercado internacional. Boa parte da explicação para um custo FOB do milho muito próximo ao do ano passado está relacionado às boas produtividades esperadas para o milho nesta safra.
Diante de um cenário de oferta regular de soja e milho (especialmente nos Estados Unidos neste segundo semestre), podemos ter de lidar com uma pressão adicional sobre os preços, principalmente da soja.
O clima sem dúvida será o elemento divisor de águas desse cenário. Deve-se levar em conta as previsões que indicam que a nossa próxima safra de verão será influenciada pelo La Niña, geralmente associado a chuva abaixo da média no Sul do Brasil e na Argentina e a maiores oscilações nos preços internacionais da soja e do milho.
Nos últimos anos, uma série de eventos externos acabou salvando as safras dos produtores brasileiros — como a guerra comercial entre chineses e americanos que em 2018 direcionou a demanda chinesa de soja para o Brasil, as frustrações na oferta americana nas temporadas seguintes e, por fim, a disparada das commodities no pós-covid. Tudo isso ajudou a espalhar a brincadeira de que talvez Deus seja brasileiro, produtor rural e more no Mato Grosso.
Vai acontecer de novo? Em breve saberemos.
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