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Houve festa no lançamento do Plano Safra 2024, que mobilizará mais de R$ 500 bilhões para o financiamento da atividade agrícola no período 2024/2025. Mas, nas entrelinhas do plano a Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA) descobriu algumas armadilhas. 
Em nota divulgada ontem e transmitida a esta coluna, a FPA começa, primeiro, elogiando o crescimento dos recursos destinados à equalização de juros que caíram de 5% para 2,5%, redução que chega a 50% em algumas linhas de crédito para a Agricultura Familiar.  
A nota diz que essa redução “deveria seguir para todo o setor agropecuário brasileiro”, uma vez que “o agro é um só”.  Em tom de alerta, a nota da FPA chama a atenção para os seguintes pontos:
“Aumento do risco de endividamento do setor agropecuário. O Plano Safra anunciado não traz novidades em recursos, não atendeu ao pedido dos produtores rurais para taxas de juros menores que pudessem ajudar na redução do custo de produção brasileiro e na diminuição do preço dos alimentos. A taxa Selic baixou 3,25%, mas os juros não foram reduzidos de forma equivalente. Um impacto diretamente no risco de inadimplência;
“Para efeito comparativo, o exemplo do Pronaf com uma taxa de juros de apenas 4% ao ano para um empréstimo de R$ 100 mil, pode gerar, ao final do período de um ano,  custo total de R$ 18.624,40, resultando em uma taxa efetiva de 18,62% ao ano, ou seja, 4,6 vezes a taxa de juros nominal anunciada. Vejam a seguir: 
“Os custos adicionais incluem: Juros Efetivos: R$ 4.000,00; Registro de cédula em cartório: R$ 380,00; Custo com Projeto Técnico: R$ 2.000,00; Proagro (milho): Custo do seguro é de R$ 7.900,00; Seguro de Vida: R$ 1.000,00 (Exigido como parte das condições do empréstimo); Título de Capitalização: R$ 2.000,00 (exigido frequentemente como garantia);
“A FPA trabalhou em franco diálogo com o governo federal ao levar a demanda do setor agropecuário brasileiro para o Plano Safra 24/25. Ressaltamos que as políticas públicas não podem ser definidas pelo governo federal apenas como pleito econômico. O alerta presidencial faz todo sentido a partir do próprio anúncio do Plano Safra 24/25 sem seguro suficiente, juros altíssimos que competem com a diminuição da oferta de crédito, especialmente em casos extremos de mudanças climáticas, aumentando mais ainda o risco; 
“O aceno para o setor agropecuário passa pelo reconhecimento da necessidade de um seguro maior, de segurança jurídica maior e da preservação do direito de propriedade no Brasil como política de Estado, sem invasões e sem simbologias presidenciais de que quem comete crime lança planos oficiais de governo sentado ao lado do Presidente da República.”
Bem, a FPA é quase um partido político do setor agropecuário, com quase 300 parlamentares a integrá-la. É ela que, no Congresso Nacional, tem barrado algumas tentativas do governo, dos seus aliados e de grupos sociais de esquerda, no sentido de dificultar o progresso da agricultura e da pecuária empresariais no Brasil. 
O agro brasileiro é hoje um dos três maiores do mundo, produzindo para o mercado interno e para o abastecimento de dezenas de países dos diferentes continentes. Acaba de tornar-se o maior exportador mundial de algodão, passando os Estados Unidos, a China e a Índia. 
Tudo isto é produto das pesquisas da Embrapa e dos investimentos maciços da iniciativa privada, que transformaram o Cerrado e outras regiões do país no grande celeiro mundial.
Anotem: dentro de três anos, o Brasil será autossuficiente em trigo, também. E de novo graças ao que o empresariado vem investindo na triticultura nacional, aplicando muito dinheiro em pesquisa, tecnologia e desenvolvimento de novas sementes, e apoiado pelo time de pesquisadores da Embrapa.
O futuro do agro brasileiro chegou, e faz tempo.

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