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Moeda norte-americana teve nova queda nesta sexta-feira, de 0,46%, cotado a R$ 5,4618. O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa, fechou em alta de 0,08%, aos 126.267 pontos. Dólar
Karolina Grabowska/Pexels
O dólar voltou a fechar em queda nesta sexta-feira (5), após as fortes baixas registradas nos últimos dois pregões. Investidores continuam a repercutir o anúncio de que o governo está comprometido com a meta fiscal brasileira e monitoram dados norte-americanos.
Na noite de quarta-feira (3), depois de um dia inteiro de reuniões, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou um corte de R$ 25 bilhões em despesas e disse que Lula determinou que seja cumprido o arcabouço fiscal.
O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira, a B3, fechou em leve alta.
Veja abaixo o resumo dos mercados.
ENTENDA: A cronologia da disparada do dólar motivada pelos juros nos EUA, o cenário fiscal brasileiro e as declarações de Lula
CONSEQUÊNCIAS: Alta do dólar deve pressionar inflação e impactar consumo das famílias no 2º semestre, dizem especialistas
Dólar
O dólar fechou em queda de 0,46%, cotado a R$ 5,4618. Na mínima, foi a R$ 5,4588. Veja mais cotações.
Com o resultado, acumulou:
queda de 2,27% na semana;
recuo de 2,27% no mês;
alta de 12,56% no ano.
No dia anterior, o dólar teve queda de 1,46%, cotado a R$ 5,4869.

Ibovespa
O Ibovespa fechou em alta de 0,08%, aos 126.267 pontos.
Com o resultado, acumulou:
alta de 1,91% na semana;
ganhos de 1,91% no mês;
perdas de 5,90% no ano.
Na véspera, o índice teve alta de 0,40%, aos 126.164 pontos.

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O que está mexendo com os mercados?
Em um dia de agenda econômica esvaziada no Brasil, o pregão segue ressoando os últimos acontecimentos políticos, que vão desde as críticas de Lula ao BC até o anúncio do corte de R$ 25 bilhões no Orçamento.
Relembre os principais acontecimentos da semana que mexeram com o mercado interno:
Nos últimos dias, críticas do presidente Lula reacenderam o temor no mercado de que o governo não estivesse comprometido com a responsabilidade fiscal. O alívio nas tensões políticas em torno do compromisso do governo com o fiscal brasileiro trouxe um tom mais positivo para os mercados, especialmente após falas de Haddad na noite de quarta-feira (3).
“Tivemos a oportunidade de nos reunirmos três vezes hoje. Lula me pediu que falasse para vocês. Primeira coisa que o presidente determinou é cumprir o arcabouço fiscal. Não se discute isso. São leis que regulam as finanças no Brasil e serão cumpridas. O arcabouço será preservado a todo custo”, afirmou o ministro, em coletiva de imprensa.
Haddad ainda prometeu cortes no Orçamento de 2025, com algumas despesas obrigatórias. O ministro explicou que o governo fez um pente-fino para identificar gastos sociais que poderiam ser cortados e que essas medidas podem até ser antecipadas, a depender do relatório de receitas e despesas do governo federal.
“Serão R$ 25,9 bilhões que vão ser cortados. Foi feito com as equipes dos ministérios. Um trabalho com critérios com base em cadastro, nas leis aprovadas. Algumas dessas medidas do Orçamento de 2025 podem ser antecipadas à luz do que a Receita nos apresente no dia 22 de julho”, disse.
Haddad: corte de R$ 25,9 bi de despesas obrigatórias
Também na quarta, durante o anúncio do Plano Safra voltado para a agricultura familiar, no Palácio do Planalto, Lula afirmou que “responsabilidade fiscal é compromisso” e que o governo “não joga dinheiro fora”.
“Aqui, nesse governo, a gente aplica o dinheiro que é necessário, a gente gasta com educação e saúde, naquilo que é necessário. Mas a gente não joga dinheiro fora. Responsabilidade fiscal não é uma palavra, é um compromisso desse governo desde 2003. E a gente manterá ele à risca”, disse Lula.
Na terça-feira (2), Lula disse que “não se pode inventar crises” e “jogar a culpa” da disparada do dólar nas últimas semanas nas declarações que ele deu.
“É um absurdo. Obviamente que me preocupa essa subida do dólar. Há uma especulação. Há um jogo de interesse especulativo contra o Real nesse país. Eu tenho conversado com as pessoas o que a gente vai fazer. Estou voltando quarta-feira, vou ter uma reunião. Não é normal o que está acontecendo”, argumentou Lula.
Ele voltou a falar, também, sobre o comando do BC, defendendo que a instituição seja autônoma e que Campos Neto tem um viés político.
“A gente precisa manter o Banco Central funcionando de forma correta, com autonomia, para que o presidente do Banco Central não fiquei vulnerável às pressões políticas. (…) Quando você é autoritário você resolve fazer com que o mercado se apodere de uma instituição que deveria ser do Estado. Ele não pode estar à serviço do sistema financeiro, ele não pode estar à serviço do mercado”.
Na segunda, Lula já havia dito que o próximo presidente do BC deve olhar para o Brasil “do jeito que ele é e não do jeito que o sistema financeiro fala”.
“Eu estou há dois anos com o presidente do Banco Central do [ex-presidente Jair] Bolsonaro, não é correto isso”, afirmou o presidente nesta segunda-feira, ponderando que a autonomia do BC foi aprovada pelo Congresso e será respeitada.
“Eu tenho que, com muita paciência, esperar a hora de indicar o outro candidato, e ver se a gente consegue… ter um presidente do Banco Central que olhe o país do jeito que ele é, e não do jeito que o sistema financeiro fala”, acrescentou, destacando que “quem quer BC autônomo é o mercado”.
O mandato de Campos Neto acaba em 2024 e, desde 2021, a legislação brasileira determina a autonomia do BC, que deve tomar suas decisões sem interferência política. No entanto, Lula afirmou que vai indicar para a presidência da instituição alguém com “compromisso com o crescimento do país”.
A legislação determina que o presidente e os diretores do BC terão mandatos de 4 anos não coincidentes com a presidência da República — um novo presidente assume o BC, então, no terceiro ano de mandato de cada presidente da República. Cabe ao presidente da república indicar nomes para o comando do BC, mas estes só serão aprovados com aval do Senado Federal.
Lula também disse que preza pela responsabilidade fiscal e que inflação baixa é sua obsessão, usando como exemplo a decisão do governo de manter a meta para a evolução dos preços em 3%. O presidente ainda afirmou, ontem à noite, que não tem que prestar contas “a nenhum ricaço desse país, a nenhum banqueiro”.
“Tenho que prestar contas ao povo pobre, trabalhador deste país, que precisa que a gente tenha cuidado e que a gente cuide deles”.
As falas recentes do presidente se juntam às críticas feitas por ele à instituição desde a semana passada. Lula disse que “a taxa de juros de 10,5% é irreal para uma inflação de 4%”, reiterando que a Selic deve melhorar quando ele indicar o substituto de Campos Neto.
Na terça-feira, presidente do Banco Central deu uma resposta. Afirmou que a interrupção do ciclo de corte de juros pela instituição, em junho deste ano, “tem a ver muito mais com ruídos que nós criamos do que com os fundamentos [da economia]”.
Ele não detalhou, na declaração, quem criou os ruídos citados. A declaração foi dada durante palestra no Forum on Central Banking, promovido pelo Banco Central Europeu (ECB), em Portugal (Sintra).
“Isso [interrupção dos cortes de juros] tem a ver muito mais com ruídos que nós criamos do que com os fundamentos [da economia]. E os ruídos estão relacionados com dois canais: um é a expectativa do caminho da política fiscal [arrecadação e gastos públicos], e o outro é a expectativa sobre o futuro da política monetária [decisões sobre a taxa de juros]”, disse.
“Então, quando você tem esses dois [ruídos] ao mesmo tempo, criou-se uma incerteza suficiente que, para nós, precisávamos interromper e ver como podíamos arrumar esse canal, e como nós podemos nos comunicar melhor para eliminar esses ruídos”, afirmou Campos Neto.
De acordo com ele, há uma “grande desconexão” entre os dados correntes da economia, como as informações sobre as contas públicas, e as informações sobre política monetária (inflação e seu impacto na taxa de juros) e as expectativas dos agentes do mercado financeiro.
“O que aconteceu no Brasil é que as expectativas começaram a subir apesar de os dados correntes [de inflação] estarem vindo conforme o esperado”, explicou o presidente do BC.
Ambiente internacional
No exterior, o foco do mercado ficou com o relatório de emprego payroll, nos Estados Unidos, que é considerado um termômetro da economia no país. O documento ainda é uma das medidas utilizadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) para determinar o direcionamento da política monetária.
Segundo o relatório, a criação de vagas de trabalho nos EUA desacelerou para um ritmo ainda mais saudável em junho, com a taxa de desemprego subindo para 4,1%. Foram abertos 206 mil postos de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, segundo o Departamento do Trabalho norte-americano.
Os dados mais amenos no mercado de trabalho do país reforçam a perspectiva de que o Fed pode estar perto de começar a cortar os juros norte-americanos. Isso porque, quando somado à moderação dos preços em maio, o documento confirmou a tendência de que a inflação parece estar mais controlada.
O cenário também foi confirmado pelo último relatório de política monetária do Fed ao Congresso, divulgado nesta sexta. Segundo o documento, a inflação está diminuindo e o mercado de trabalho voltou à situação “apertada, mas não superaquecida” observada nos períodos pré-pandêmicos.
“A inflação diminuiu notavelmente no ano passado e mostrou um progresso modesto até agora neste ano”, disse o Fed.
“A demanda por mão de obra diminuiu, já que as vagas de emprego recuaram em muitos setores da economia, e a oferta de mão de obra continuou a aumentar, apoiada por um forte ritmo de imigração”, completou a instituição no documento.
*Com informações da agência de notícias Reuters
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