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Picada provoca irritação na pele e há risco de transmissão de doenças, diz professor de zoologia. Município no Vale do Itajaí decretou emergência por causa da infestação do inseto. Endemia do inseto maruim atinge Luiz Alves, em Santa Catarina
O maruim, um tipo de mosquito, levou a cidade de Luiz Alves, no Vale do Itajaí, no estado catarinense, a decretar situação de emergência. O professor de ecologia e zoologia Luiz Carlos de Pinha, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou que a picada do inseto causa irritação na pele e há risco de transmissão de doenças.
O decreto em Luiz Alves, feito em 27 de março, ocorreu por causa do aumento da população de maruins. Os moradores do município relatam desconforto devido às picadas do inseto. O município tem 11.684 habitantes, de acordo com o Censo 2022.
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O professor confirmou que o maruim é mesmo um tipo de mosquito. “Não é do mesmo grupo dos mosquitos como o Aedes [aegypti, transmissor da dengue], é um parente próximo”. O maruim é do gênero Culicoides.
Mosquito maruim transmissor da febre Oropouche
Fiocruz
“Da mesma forma que o mosquito da dengue e da malária, somente as fêmeas picam. A picada serve como suplemento alimentar para a fêmea produzir ovos. Só consegue gerar descendentes depois de picar alguém”, explicou o professor.
Picadas e Febre do Oropouche
Ele destacou que as picadas do maruim podem ser maléficas de diversos jeitos. “O mais comum, mais claro é o incômodo que ela causa, essa queimação na pele, ardência bem incômoda mesmo”.
“Em volume grande [de população], frequência grande, como em Luiz Alves, além dessa irritação na pele há risco de transmissão de patógenos. Os maruins estão envolvidos na transmissão de alguns parasitas. Os problemas são principalmente em animais domésticos da pecuária, bovinos, equinos. Pode haver surtos de certas doenças relacionadas a esse mosquito”, completou o professor.
Picadas do inseto maruim em morador de Luiz Alves
Jaqueline Fischer/Arquivo pessoal
Nas pessoas, o maruim pode transmitir a Febre do Oropouche. “Essa doença é relativamente comum no Amazonas, Pará, tem vários casos relatados lá. Vale a pena ficar alerta porque é uma doença que é facilmente confundida com a dengue no seu diagnóstico, nos sintomas, dor nas articulações, febre. Já foi diagnosticada no Sudeste. Para chegar à região Sul é um pulo”, disse o professor.
A Febre do Oropouche tem sintomas similares à dengue e à chikungunya, incluindo dor de cabeça, muscular, nas articulações, náusea e diarreia – o que pode complicar diagnósticos clínicos.
Não há tratamento específico para a febre. Recomenda-se repouso, tratamento sintomático e acompanhamento médico.
Causas do aumento da população do maruim
A produção de banana de Luiz Alves foi citada pelo professor como uma causa para o aumento da população do maruim no município.
“A bananeira em decomposição é um dos principais ambientes em que a larva do mosquito vai se desenvolver. Ela gosta desse local, com matéria orgânica em decomposição, clima quente, abafado por um longo período”.
Em relação a uma possível solução para o aumento da população do maruim, o professor falou que o controle sobre criadouros do inseto pode ajudar. “Acabar impedido de se criarem tanto. Também não é algo fácil, o manejo de resíduos de plantação de banana”.
Pelo decreto de emergência feito pelo município, autoridades administrativas e agentes contratados para o combate ao maruim ficam autorizados a entrar em propriedades particulares para identificar possíveis criadouros.
Somado a isso, o decreto dispensa licitação para a compra de bens necessários às atividades de resposta ao estado de emergência.
O que diz o decreto
De acordo com o documento, os moradores relatam desconforto com as picadas.
Também descreve que o inseto está espalhado tanto na área urbana quanto rural do município. O decreto reforça que a disseminação do maruim dificulta ou impede a exposição dos moradores ao ar livre, principalmente de bebês e idosos.
Além disso, como há muita atividade agrícola no município, os produtores ficam expostos ao inseto enquanto trabalham na lavoura e na pós-colheita, na hora de embalar as mercadorias.
O decreto reforça, ainda, que “as picadas podem evoluir para reações alérgicas graves, feridas, que podem ser porta de entrada para microrganismos patogênicos, que exigem cuidados médicos” e que repelentes e outros métodos químicos se mostraram ineficazes contra o inseto.
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