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A moeda norte-americana teve alta de 1,01%, cotada a R$ 5,1422. Já o principal índice acionário da bolsa de valores encerrou em queda de 1%, aos 128.188 pontos. Dólar
Karolina Grabowska/Pexels
O dólar fechou em alta de mais de 1% nesta quinta-feira (9), à medida que investidores repercutiam a nova decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na véspera.
Na quarta-feira, o Banco Central do Brasil (BC) decidiu reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual (p.p.), contrariando suas próprias estimativas — em março, o colegiado havia previsto um corte de 0,50 p.p. na reunião deste mês.
O movimento, segundo especialistas, reflete a piora do quadro fiscal e a manutenção dos juros nos Estados Unidos. (entenda mais abaixo)
Na agenda, investidores ainda monitoraram uma série de indicadores locais e internacionais divulgados ao longo da semana, além de vários balanços corporativos.
Já o Ibovespa, principal índice acionário da bolsa de valores brasileira (B3), fechou em baixa.
Veja abaixo o resumo dos mercados.
Dólar
Ao final da sessão, o dólar avançou 1,01%, cotado a R$ 5,1422. Na máxima do dia, atingiu R$ 5,1768. Veja mais cotações.
Com o resultado, acumulou:
avanço de 1,43% na semana;
recuo de 0,97% no mês;
ganho de 5,97% no ano.
Na quarta-feira, a moeda norte-americana fechou em alta de 0,47%, vendida a R$ 5,0908.

Ibovespa
Já o Ibovespa encerrou em queda de 1%, aos 128.188 pontos.
Com o resultado, acumulou:
queda de 0,25% na semana;
avanço de 1,80% no mês;
perdas de 4,47% no ano.
Na quarta-feira, o índice teve uma alta de 0,21%, aos 129.481 pontos.
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O que está mexendo com os mercados?
O principal destaque desta semana fica com a decisão de política monetária do Copom. O BC decidiu reduzir o ritmo de cortes da taxa básica de juros e diminuiu a Selic em 0,25 p.p., contrariando suas próprias estimativas.
Na reunião de março, a instituição havia estimado promover mais um corte de 0,50 p.p. da Selic em maio, em linha com as reduções dos últimos encontros.
Copom: por que o BC diminuiu o ritmo de cortes de juros e quais os recados sobre o futuro da Selic
Desde então, no entanto, o cenário mudou bastante. Em meados de abril, após o governo propor reduzir as metas para as contas públicas dos próximos anos, Campos Neto afirmou que o trabalho do BC para conduzir a inflação aos patamares pré-estabelecidos ficou mais “custoso e difícil”.
“A evidência do que vimos nos últimos dias nos mostra que o mercado ficou mais preocupado com relação ao fiscal [contas públicas], e qual vai ser o equilíbrio fiscal no futuro, com efeito no prêmio de risco, o que torna o trabalho mais difícil e custoso”, afirmou Campos Neto, durante participação em evento da XP em Washington, nos Estados Unidos, no mês passado.
Isso porque, ao possibilitar mais gastos públicos em relação ao que era esperado anteriormente com a mudança das metas fiscais, a tendência é de uma pressão maior sobre inflação nos próximos anos — dificultando seu controle.
Além disso, o cenário de incertezas ganhou ainda mais força após o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) sinalizar que os juros na maior economia do mundo podem demorar mais a cair.
Na semana passada, o BC dos EUA manteve os juros do país inalterados no patamar entre 5,25% e 5,50% ao ano, no maior nível em 20 anos, voltando a enfatizar a cautela com a inflação. De acordo com a ferramenta FedWatch, que reúne as projeções do mercado para as taxas de juros nos Estados Unidos, um ciclo de corte nas taxas só deve começar em setembro — ou até depois disso.
Como os juros nos Estados Unidos influenciam a decisão do Copom
No comunicado divulgado após a decisão, o colegiado afirmou que “acompanhou com atenção os desenvolvimentos recentes da política fiscal e seus impactos sobre a política monetária”.
“O Comitê reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária”, informou o colegiado no documento.
O Copom ainda destacou que “avalia que o cenário global incerto e o cenário doméstico marcado por resiliência na atividade e expectativas desancoradas demandam maior cautela”, deixando de sinalizar que prevê novos cortes da Selic à frente.
“A política monetária deve se manter contracionista até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, disse o comitê no documento, reforçando que a “extensão e a adequação de ajustes futuros na taxa de juros serão ditadas pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”.
Além disso, especialistas também reforçam que o fato de não ter sido uma decisão unânime tende a pesar no mercado nesta quinta-feira (8). Isso porque investidores seguem incertos sobre como deve ser a transição para a nova gestão do Banco Central. O mandato de Roberto Campos Neto, atual presidente da instituição, se encerra no fim de 2024.
Na agenda, investidores ainda repercutem uma série de balanços corporativos e indicadores nacionais e internacionais.
Na quarta-feira (8), dado do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicaram que a balança comercial brasileira registrou um superávit (quando o volume de exportações supera o de importações) de US$ 9,041 bilhões em abril. O saldo foi 13,7% mais forte do que o registrado em igual mês de 2023 (US$ 8 bilhões).
Segundo o governo, em abril:
as exportações somaram US$ 30,92 bilhões;
as importações somaram US$ 21,879 bilhões.
Ainda entre os indicadores, o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 0,72% em abril, uma reversão expressiva da queda de 0,30% vista no mês anterior. Investidores também aguardam a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, a inflação oficial do país) na sexta-feira (10).
Já do lado fiscal, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que o governo não trabalha com um limite para os gastos emergenciais de enfrentamento à catástrofe no RS, mas destacou que a experiência mostra que os desembolsos para esta finalidade não serão “meteoros” fiscais e não devem “nem arranhar” a dívida pública do país.
Além disso, o ministério também informou que o governo ainda deve avaliar os impactos das fortes chuvas no Rio Grande do Sul sobre a balança comercial brasileira a partir de maio.
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No exterior, o mercado ainda segue atento a eventuais falar de dirigentes do Fed, em busca de sinais sobre os próximos passos da instituição sobre os juros do país.
Na quarta-feira (8), a presidente da distrital do Fed em Boston, Susan Collins, afirmou que a atual configuração da política monetária norte-americana irá desacelerar a economia do país. Com isso, a banqueira central diz acreditar que a inflação pode voltar à meta de 2%.
Já na terça-feira (7), o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, afirmou que é possível que a autarquia decida por reduzir as taxas de juros norte-americanas ainda neste ano se as pressões sobre os preços voltarem a diminuir.
Entre os dados econômicos, os pedidos semanais de auxílio-desemprego nos Estados Unidos foram monitorados nesta quinta-feira. Segundo informado pelo Departamento do Trabalho do país, o número de norte-americanos que entraram com novos pedidos aumentou em 22 mil na semana passada, para 231 mil, acima do esperado pelo mercado.
Na Europa, o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis De Guindos, afirmou nesta quinta-feira que o número de cortes futuros nas taxas de juros da zona do euro dependerá de uma série de fatores, incluindo a evolução dos salários e a reação dos mercados financeiros.
Ele acrescentou que a política monetária do BCE não depende do que o Federal Reserve faz, embora as decisões sobre a taxa de juros norte-americana influenciem a taxa de câmbio do dólar e a economia global.
*Com informações da agência de notícias Reuters
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